quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mágia Poética...O poeta é um fingidor








Autopsicografia 
Poetas são seres mágicos que criam sonhos, tecem fantasias, inventam estórias. Doam-se ao mundo sem reservas, numa ânsia apaixonada de compartilhar os sentimentos que lhes povoam a alma. São feitos bicho-da-seda, que se entregam vorazmente a fazer sua textura. Falam todas as línguas. Conversam com as estrelas, com as flores, com a chuva.Falam com o sol, com as árvores, com os pássaros. Poetas se comunicam com toda natureza.

Poetas sentem uma ansiedade contínua, que só se ameniza quando nasce um poema, não qualquer poema, mas aquele poema, o que lhes veio do mais profundo do seu ser, que foi acarinhado, corrigido, enxugado e acrescentado. Aquele que fez o poeta atravessar noites sem dormir, rascunhando, amassando, lançando fora e resgatando. Que foi moldado como uma escultura, mãos em perfeita harmonia com as palavras, dedos encharcados do barro da inspiração.

Poetas parecem carregar nos ombros todas as dores e alegrias do universo. Sentimentos que só conseguem extravassar através de seus escritos, quando sofrem, a dor é tão grande que sua obra sai lapidada, cristalina, em arestas. Se felizes, expressam suas palavras com tanta alegria que contagiam de felicidade os corações. Sua magia é tanta que podem com a alma destroçada, escrever poemas de pura felicidade, estar cheios de alegria e criar poesias de profunda tristeza.

Poetas são as cigarras da literatura, Poetar é a sua música. É essa melodia em letras que lhe aquece o espírito, que lhe dá alento para seguir em frente quando os ventos são contrários.

Poetas aproximam amores,
Fortalecem amizades,
Eliminam rancores,
Conduzem à reflexão,
Poetas são seres mágicos que iluminam os mais obscuros cantos da alma.
(Dorcila Garcia)

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
 

Fernando Pessoa