sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Poesia tem Nome e Sobrenome!





Cecilia era Meireles, Clarice nasceu Lispector, Carlos mais imponente era Drummond de Andrade,
Pablo tornou-se Neruda, Miguel foi de Cervantes e Jorge foi Amado!

Fernando virou Pessoa, Friedrich é o confuso Nietzsche,
Mario é o tal Quintana, a Florbela é Espanca.

E musicalmente falando, Noel era Rosa, 

Paulo virou Leminski, Cora, coroou-se Coralina, Manuel fez-se Bandeira,

Arnaldo porque não Antunes, dos céus Augusto é dos Anjos e Catulo apaixonado da Paixão Cearense,Gonçalves apareceu Magalhães, Gonçalves teve seus Dias, Francisco é Buarque de Holanda... 

Assim como Noel, João é Guimarães e também Rosa... 

Há tantos Silvas, Barbosas, Teixeira e outros mais, poesia está bem representada.

E há sempre quem gosta... 

Quem sabe um dia, nesta listagem, um iniciante rabiscador, Gilson

que é um modesto Costa, que não faz nada no grito e também é de nascença um Brito!

 

Gilson Costa

Hora da faxina!!!



Tem uma hora que você tem que parar e fazer uma limpeza, no coração.

Não que o que há nele seja lixo, não podemos desprezar sentimentos que já não servem
mais, mas que um dia resplandeceram dentro de nos!

Tem uma hora que o coração está tão cheio, que os sentimentos se tornam falsos, melhor,  nos enganamos com eles.

Vemos luz onde já não há, vemos esperança onde há muito deixou de existir e vamos insistindo em erros, tolos, bobos e banais.

Esquecemos e não vemos outros sentimentos, que querem abrigar em nosso peito, mas so tem espeço para amargura, ruins lembranças e sentimento de perdas...

Não, não é necessário jogar sentimentos antigos no lixo, limpe teu coração e coloque-os num cantinho especial, só as coisas boas, mas deixe um grande espaço para fatos novos, sentimentos novos.

Não tente apagar o que passou, não funciona, mais cedo e mais tarde, estará lá , batendo na tua porta, as vezes, tentando e conseguindo derruba-la. Também não adianta fugir!

É hora da faxina, limpar bem coração e alma, aprender com que viveu e continuar a viver, varrer para fora o que não presta mais, o que não adiciona mais, o que pesa e atrapalha...

O restante, como costumo dizer, vem a reboque!

Gilson Costa

Bendito é o tempo que temos! #gilsoncosta




O tempo é nosso aliado e não inimigo, ele mostra os caminhos, ele diz o que é certo, tenta nos ajudar, mas nos, cegos, humanos, não vemos o obvio, as vezes, só com muito tempo.

O tempo...

O tempo nada mais é do que o passar das coisas; sentimentos e pessoas!

O tempo nada mais é do que um professor, que nos ensina, por bem ou por mal, o que realmente é sólido e verdadeiro!

Então:

O ano novo não é um recomeço, é uma continuação. Levaremos bagagens que estão em nos. Colheremos os frutos, bons ou não, de nossas ações passadas e continuaremos plantando. Não, ano novo não é recomeço, é continuação de nossos passos e sonhos. Recomeço seria nascer de novo, do zero e mesmo assim, nascer de novo não é um recomeço, é continuação!

Gilson Costa

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Palavras



Tem aqueles que se vestem 
das palavras, outros despem-se delas!

Uns as usam para esconderem-se,
outros para se mostrarem


Uns as usam como arma
outros como proteção,
uns se cobrem delas,
da cabeça aos pés,
outros as deixam de lado,
feito roupa que não se usa mais.


Tem gente que come, vive, sonha
e chora palavra!


Tem gente que abandona a palavra
na solidão, na chuva, no meio da rua.


Estes... – Dizem, são
aqueles que não sabem o que dizer
e vivem na solidão!



Gilson Costa

domingo, 10 de novembro de 2013


Gosto quando as palavras grudam em mim,

Gosto quando as palavras me abraçam, envolvem e me acalantam...
Gosto quando elas descrevem minhas dores, amores, tristezas,
Gosto da companhia das palavras em meus momentos de solidão.

Gosto quando em vez de lagrimas brotam palavras, gosto quando elas
vem e veem minha alma.

Gosto quando as palavras me molham, moldam, modificam...
Gosto quando elas me usam, abusam, me mutilam... 

Gosto quando fazem amor comigo, até eu parir uma poesia...


Gilson Costa

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Faz-se poesias
abandona o pretérito 
imperfeito
e segue, sem virgulas
distanciando dos pontos finais

Faz-se versos
busca em ti rimas ricas
e torna-te soneto
de suave sonoridade,
exclamações!

Faz-se poemas
preenche as folhas
brancas de minha vida
que se faça em mim
a sua poesia!

Gilson Costa

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Desculpe-me AMOR!


Desculpe-me AMOR
Não soube te amar!
Não estava à altura deste sentimento,
sou imperfeito, e minha imperfeição te maculou!
Desculpe-me AMOR Não soube me respeitar,
e não me respeitando, te desrespeitei.
Desculpe-me AMOR
por fazer se suas trilhas,
caminhos tortuosos
e por não saber entender as companhias que me deste de viagem. Desculpe-me AMOR
por te fazer sombra, onde você era luz,
por te fazer silêncio, onde você era festa!
Desculpe-me AMOR
por não ter suportado,
esperado,
perdoado,
pelo egoísmo,
orgulho,
e pela falta de mais humildade!
Desculpe-me AMOR
Pelas duvidas,
Pelo medo,
pela falta de entrega…

Sou imperfeito, Amor!
Desculpe-me pelos erros de interpretação
pela falta de intensidade,
pela ansiedade.
Por não te sentir brisa
e te fazer tempestade!
Desculpe-me pela falta da fé
Fé em mim!!!
Gilson Costa

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Lua!!!


Pedia tanto um amor aos céus
encaixe perfeito, outra metade
que afogasse qualquer saudade
e que se possível, durasse a eternidade.


Pedia tanto um amor aos céus
sincero e perfeitamente intenso
maduro e infantil, conforme o tempo
e que seja em si, imenso.


Pedia tanto um amor aos céus
de corpo e alma nua
fez uma prece tão sincera
que ganhou como amor,
a  própria Lua!!!



Gilson Costa

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Nexo!


Somos frases, sem acento, sem virgulas, com letras minúsculas. Sem nexo nenhum!
E ainda por cima, queremos ser vistos e o que é pior, entendidos!!!

Gilson Costa

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A canção desesperada - Pablo Neruda




Tua lembrança emerge da noite em que estou.
O rio junta ao mar seu lamento obstinado.

Abandonado como os portos na alvorada.
É a hora de partir, oh abandonado!

Sobre o meu coração chovem frias corolas.
Oh sentina de escombros, feroz cova de náufragos!

Em ti se acumularam as guerras e os vôos.
De ti alçaram asas os pássaros do canto.

Ah, tudo devoraste como a fria distância.
Como mar, como o tempo. Tudo em ti foi naufrágio!

Era o momento alegre do assalto e do beijo.
Era a hora do assombro que ardia como um facho.

Angústia de piloto, fúria de búzio cego,
turva embriaguez de amor, tudo em ti foi naufrágio!

Minha infância de névoa, de alma alada e ferida.
Descobridor perdido, tudo em ti foi naufrágio!

Eu fiz retroceder a muralha de sombra,
e caminhei além do desejo e do ato.

Oh carne, carne minha, mulher que amo e perdi,
a ti, nesta hora úmida, evoco e elevo o canto.

Como um vaso abrigaste a infinita ternura,
e o esquecimento infindo te partiu como a um vaso.

Era a negra, era a negra soledade das ilhas,
e ali me receberam, mulher de amor, teus braços.

Era a sede, era a fome, e foste tu o fruto.
Era o luto, as ruínas, e tu foste o milagre.

Ah mulher, não sei como tu pudeste conter-me
na terra de tua alma e na cruz de teus braços!

Meu desejo de ti foi o mais tenso e curto,
o mais revolto e ébrio, o mais terrível e ávido.

Cemitério de beijos, inda há fogo em tuas tumbas,
ardem ainda as uvas bicadas pelos pássaros.

Oh a boca mordida, oh os beijados membros,
oh os famintos dentes, oh os corpos trançados.

Oh, a cópula louca de esperança e esforço,
em que nos enlaçamos e nos desesperamos.

E a ternura leve como a água e o trigo.
E a palavra apenas começada nos lábios.

Foi esse o meu destino: nele foi meu anseio
e caiu meu anseio, tudo em ti foi naufrágio!

De queda em queda ainda flamejaste e cantaste.
De pé qual um marujo sobre a proa de um barco.

Ainda floriste em cantos, rompeste correntezas.
Oh sentina de escombros, poço aberto e amargo.

Pálido búzio cego, fundeiro desditoso,
descobridor perdido, tudo em ti foi naufrágio!

É a hora de partir, a dura e fria hora
pela noite sujeita a todos os horários.

O cinturão ruidoso do mar aperta a costa.
Surgem frias estrelas, emigram negros pássaros.

Abandonado como os portos na alvorada.
Somente a sombra trêmula se contorce em meus braços.

Ah, mais do que isso tudo. Ah, mais do que isso tudo.
É hora de partir. Oh abandonado!




(20 Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada;)


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Overdose!



Se você fosse uma bebida eu repetiria a dose. Se você fosse uma droga entraria em overdose.”

— 
Legião Urbana.

Dia do sexo carnal...


Pois o Espiritual, de alma para alma, que encontram e se completam, este é só para os fortes!

domingo, 18 de agosto de 2013

Dose de poesia!



Mas um pouco de poesia, por favor,
com um tom de fantasia,
para afastar qualquer tristeza
e dar vazão à alegria!



Gilson Costa

Fez noite em mim!


Se

Você disse que não sabe se não
Mas também não tem certeza que sim
Quer saber?
Quando é assim
Deixa vir do coração
Você sabe que eu só penso em você
Você diz só que vive pensando em mim
Pode ser
Se é assim
Você tem que largar a mão do não
Soltar essa louca, arder de paixão
Não há como doer pra decidir
Só dizer sim ou não
Mas você adora um se...

Eu levo a sério mas você disfarça
Você me diz à beça e eu nessa de horror
E me remete ao frio que vem lá do sul
Insiste em zero a zero e eu quero um a um
Sei lá o que te dá, não quer meu calor
São Jorge por favor me empresta o dragão
Mais fácil aprender japonês em braile
Do que você decidir se dá ou não

Djvan

sábado, 17 de agosto de 2013

Taças...



É a primeira taça de vinho
a inspiração me consome
seja seco ou suave
Brinco à ele seu nome

É a segunda taça de vinho
e a timidez já me some
sua presença é constante
penso em teu telefone!

É a terceira taça de vinho
o meu desejo tem sobrenome
saudade tem o seu domínio
vontade de você, não some!
...
É a terceira garrafa de vinho
possessivo é o meu pronome
e em meus pensamentos ébrios
peço que me encontre, me tome!

Gilson Costa

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Talvez!


Talvez as palavras saiam do contexto,
Talvez não existam versos suficientes
Para compor um texto
Talvez!

Talvez as folhas fiquem amarelas
Talvez  que sabe as cores das canetas
Formem uma aquarela
Talvez!

Talvez falte a tal da poesia
Talvez não tenha melodia
Minha palavra, fria!
Talvez!

Talvez seja noite em mim
Em pleno dia,
Talvez ainda exista alegria,
Talvez!


Gilson Costa

domingo, 14 de julho de 2013

Mostre-se bonito nas fotos é fácil, difícil é mostrar aquilo que esta dentro de nós, nossas qualidades são fáceis de demonstrar, os nossos defeitos, geralmente escondemos! 


gilson costa

Luar...



Ao luar, espero meu tempo chegar
Espero o amor florescer
Espero pelo meu bem...

Gilson Costa

Tantas mulheres!


sábado, 13 de julho de 2013

E a menina...

...E lia historias para a Lua, na intenção de ser entendida!!!
Assim tornava em sonho sua vida
A lua sempre estaria lá, sem despedidas,
Com idas e vindas repetidas
Sem momentos fugazes
Presente em diversas fases


Gilson Costa

Silêncios


terça-feira, 9 de julho de 2013

Escrevo Poesia...

Escrevo poesia
Para passar o meu dia
Para preencher minha noite
Escrevo poesia

Escrevo poesia
Para falar de seus olhos
Da sua boca que já foi minha
Escrevo poesia

Escrevo poesia
Para me fazer companhia
Para a minha jornada
Escrevo poesia

Escrevo poesia
Para falar de vontades
Para falar de saudades
Escrevo poesia


Gilson Costa

Talvez seja...


Talvez tenha passado o momento, talvez
Talvez seja medo, talvez...
Talvez ainda haja tempo, talvez
Talvez tudo esteja ainda ai
A eternidade é longa, talvez
Talvez exista algo em nos, talvez
Talvez seja esta a nossa vez, talvez,
Mas ao olhar você, minha alma
Sente um frio no estomago,
E não é talvez...
Talvez seja você, talvez!!!!


Gilson Costa

segunda-feira, 10 de junho de 2013



Vou ler Quintana para ver se me acho
Em qual poesia ou prosa me encaixo
Se no verso de cima ou na rima de baixo
Assim quem sabe eu relaxo

Vou ler Neruda para ver se tudo muda
Se de palavra minha alma imunda
Purificada torne-se Buda
Protegida por um galho de arruda

Vou ler Coralina para ver se minha sina
Achar que vidro é turmalina
Reticencias, exclamações são vitaminas
Do pó das letras que acham ser purpurinas...

Vou me ler poetas, os meus profetas

Palavras sem curvas, de forma direta

Fazer-te oração, não ser ateu
Encontrar-me nos versos seus!


Gilson Costa

domingo, 9 de junho de 2013

Não peço mais...!


Eu pedi um amor, veio o amor, foi-se o amor...
Não peço mais!

Eu pedi um amor, veio o amor, foi-se o amor,
Ficou a dor!
Não peço mais!

Eu pedi um amor, veio o amor, foi-se o amor,
Ficou a dor, junto com a saudade!
Não peço mais!

Eu pedi um amor, veio o amor, foi-se o amor,
Ficou a dor, junto com a saudade,
Mesmo com tudo isso,
Ficou muito vazio,
Não peço mais!

Eu pedi um amor, veio o amor, foi-se o amor,
Ficou a dor, junto com a saudade,
Mesmo com tudo isso,
Ficou muito vazio,
Banhado de lágrimas!!!
Onde tem tanta lágrimas assim em mim?
Não peço mais!!

E pedi amor, pedi... E veio, se foi
E eu estou aqui!!!

Não peço mais!


Gilson costa

Liberta-me!



Liberta-me, desejo, liberta-me
Dos pensamentos que me prendem a você!
Liberta-me, eu, me liberte,
Das sensações de vazio
Que você me deixou...
Se não segue mais meus passos
E não moro mais em teu coração,
Liberta-me!
Se não pode me salvar,
Não me condene!!!
Liberte-me!!!


Gilson Costa

Então escrevo você em poesias
faço-te, em meus desejos,
versos e rimas!

Gilson Costa

Caminho!


quinta-feira, 6 de junho de 2013

História..


Tem gente que não sabe ler uma história, contar uma história, ser uma história!


Gilson Costa

domingo, 2 de junho de 2013

Faltando um pedaço - Jornada de meu coração odisséico


Há muito que falta um pedaço no meu,
Tal qual Ulisses ou Odisseu
Na volta de sua vitória em Troia
Meu amor perdido, sem glória
Buscando um porto seguro
a procura do seu rumo
Sem passo, nem laço
De Circe, na ilha perdida

Há tempo em minha vida
virou uma imensa armadilha...
Tempestade que não abunda
vento boreste que não guia, afunda
dor que dói, profunda
e que me vence de cansaço
Sim há muito que no meu coração
falta um pedaço...
Viagem de volta tumultuada
já que não existe, os braços da amada
há mais espinhos que carinho
há muitas voltas no caminho...
E assim segue a luta
à volta com esse sentimento
se há esperança para mim
quem vai me dizer é o tempo...

Enquanto não alcanço minha terra
vivo em mim esta guerra
vivo em cio no fio
no frio
Buscando quem sabe espaço
e o meu coração que ainda ama
fica faltando um pedaço,
que nem a Lua minguando
que nem o meu nos teus braços!!!


Gilson Costa

Viver sem este amor quem Deus me deu...


Esta guardada em meu coração

Lá você fez morada

é toda minha paixão

Dia, noite madrugada.



Por que não está comigo

Por que não tenho seus beijos

Por que quanto mais te tenho

Mais te desejo...



Já foi muito mais em minha vida

E o pouco que se tornou ainda é muito

É muito mais que uma simples mulher querida

Perder-te nunca foi meu intuito



cada seu abraço e carinho

Onde nos perdemos no caminho

Onde se perdeu a magia

E o que foi feito da poesia?



Que falta eu sinto de nos

De você, seus ais em meus lençóis.

Você tentando se segurar,

Em tudo, na hora de nosso amar!



O importante é que você vive em mim

Que não consigo te esquecer jamais

Esquece-la é esquecer a mim

Esquece-la é não ter mais paz



Andar errante pelo mundo

O que não seria coisa pouca

Perder-me em mistério profundo

Tentando te encontrar em outras bocas



Beijos que não são os seus

Corpos que não se encaixam com o meu

Como, Senhor é impossível.

Viver sem este amor quem Deus me deu...




Gilson costa

Arrepios e razão... by Ração ilógica


Nunca teve e nem terá explicação
Por mais que as palavras rebusquem
Por mais que os pensamentos divaguem
Numa inconsequente, desenfreada
E vã tentativa de compreensão

A emoção é mastigada. Jamais domesticada
Quem tenta, sempre acaba desesperada
Mergulhada no ciúme e na desilusão
Pois, assim como cada flor tem sua cor
Cada vida sua ótica. O amor sua lógica
Mas, nem sempre uma razão

O amor é tudo que nos deixa confuso
Ilumina e ao mesmo tempo cega
Prolifera de onde e quando menos se espera
E por ser uma esfera
Por vezes desespera, mas logo se esmera
E simplifica a mais complexa equação

Desde Platão, no início da civilização
Por mais que se tenha tentado
Reinventado fórmulas ou conceitos
Nada explica o arrepio de um peito
Nem se é capaz de encontrar defeito
No que se ergue com natural força e tesão

Por mais que se disfarce
Dissimule ou até mesmo vire a face
Jamais se dirá com palavras
O que provoca e toca a alma
E só se enxerga com os olhos
Cobertos pelo véu da emoção

AMOR SECRETO


Pode ser que esse caminho que nos
une seja um caminho sem rumo.
Pode ser que nossa história seja
surpreendente, ardente e complexa.
Mas que ao sorrir diante da vida
seja de um modo infinitamente mágico.
Pode ser que tenhamos gestos afetuosos
diante das estrelas que nascem no jardim
Do universo.
Pode ser nossos olhares se lacem unindo
Nossos lábios em um momento unicamente
Eterno e tão nosso.
Pode ser que nossa história se resuma a um
Coração cheio de desejos...
Um poço indecifrável de segredos.
Fortalecemos-nos na lealdade.
Encontramos-nos na amizade.
Falamos-nos no silencio.
Entendemos-nos no olhar.
Unimos-nos ainda mais na distancia.
Amamos-nos de um jeito só nosso.
Percorremos mundos só nosso.
Um amor nesse mundo de impossibilidade
Quebramos as regras nesse encontro
Da necessidade de nossas almas.
É o amor mais sentido, o mais delicado.
Pode ser que nossos corpos nunca se toquem.
Pode ser que essa diferença que existe entre
Nosso mundo, quebre as barreiras
Para nos encontrarmos.
Eu e você duas sombras sólidas
De um amor invisível na incerteza
Mas sólido em nossas almas...
É o meu amor secreto e por isso está sempre
Por perto, distante dos olhos e tão dentro do coração
.
(Fernanda Maia Oliver)

quarta-feira, 15 de maio de 2013

“Para mim a poesia é um sentimento.
Aperte o olhos, relaxe a miopia da vida e veja.
Ela paira em todo lugar,

no teu colo
nas tuas mãos
na calma da ilusão
na agonia da espera
no teu amplo silêncio
no teu choro de alegria
na agressividade do não
na batida forte do coração
na liberdade de Kurt Cobain
na aceitação da velha solidão
na doçura da flor de chocolate
na afetividade do velho escrivão
na respiração da frase que te toca
no apego aos teus livros e canções
no deslumbramento aos pés do Cristo
na beleza estonteante do garoto punk
no civismo melodramático dos sindicatos
na demência do assassino na hora do tiro
no abalo sísmico da torcida na hora do gol
na fuga desesperada daquilo que te acabou
na catalepsia da rotina que esmaga e paralisa
no domínio do amante te possuindo feito um cão
no dengo do terno e demorado abraço pela manhã
na cegueira de nossos governantes pobres de espírito
na disputa sã por um amor, uma flor, um amigo, um irmão
na consciência que o mundo está ruindo bem a nossa frente
no embaraço de uma declaração de amor de olhos brilhantes
na fragmentação da vida para no final encontrar o teu começo
na discórdia sem nexo do mundo diante da minha sexualidade
na dignidade do trabalhador as 4 da manhã na estação central
no espanto perante a guerra e a destruição de vidas humanas
no horror da miséria exacerbada pela dor e alcoolismo do pai
no idealismo estampado na bandeira política do teu partido
na histeria completa na chegada dos Beatles ao aeroporto
na derrota ao ver uma amigo ir embora pra todo o sempre
na espiritualidade de Chico Xavier, Buda e Salvador Dali
na descrença de estar vivo depois de se sentir um vazio
no dilema entre o desejo e a necessidade do dinheiro
na empatia vibrante da resposta que te faz pensar
no constrangimento do primeiro olhar apaixonado
na genialidade das palavras de Chico Buarque
no autismo perante a covardia e inexpressão
na carência pelo toque, pelo beijo, pela mão
na amargura do abandono e da decepção
no brilhantismo de um texto bem escrito
na tentação pelo errado e inaceitável
nas entrelinhas da prosa detalhada
na convicção infame da realidade
serial killer de nossos sonhos
na lágrima que não escolhe
na culpa de não estar lá
na tua pele cor de chá
na temperatura do ar
na saudade d’gente
em mim, em você
solta e imortal.

A poesia vive em cada um de nós.”
— Elisa Bartlett (via b-elong)

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dai-me, Senhor


A casa é sua - Arnaldo Antunes




Não me falta cadeira
Não me falta sofá
Só falta você sentada na sala
Só falta você estar
Não me falta parede
E nela uma porta pra você entrar
Não me falta tapete
Só falta o seu pé descalço pra pisar
Não me falta cama
Só falta você deitar
Não me falta o sol da manhã
Só falta você acordar
Pras janelas se abrirem pra mim
E o vento brincar no quintal
Embalando as flores do jardim
Balançando as cores no varal
A casa é sua
Por que não chega agora?
Até o teto tá de ponta-cabeça
Porque você demora
A casa é sua
Por que não chega logo?
Nem o prego aguenta mais
O peso desse relógio
Não me falta banheiro, quarto
Abajur, sala de jantar
Não me falta cozinha
Só falta a campainha tocar
Não me falta cachorro
Uivando só porque você não está
Parece até que está pedindo socorro
Como tudo aqui nesse lugar
Não me falta casa
Só falta ela ser um lar
Não me falta o tempo que passa
Só não dá mais para tanto esperar
Para os pássaros voltarem a cantar
E a nuvem desenhar um coração flechado
Para o chão voltar a se deitar
E a chuva batucar no telhado
A casa é sua
Por que não chega agora?
Até o teto tá de ponta-cabeça
Porque você demora
A casa é sua
Por que não chega logo?
Nem o prego aguenta mais
O peso desse relógio