domingo, 31 de outubro de 2010

Utopia

O pão que alimenta



Eu sou a carne e o pão que te alimenta
fortalecendo desejos de teu âmago.
Que eleva ao céu, constelação de afago,
flores, carícia e um banho de água-benta.

Eu sou a chama que em ti se adentra
pela porta divinal e me propago
nos becos de teu corpo. Eu vou e trago
um fogo ardendo que queima e acalenta.

Eu sou a tua fé; a prece na harmonia,
o teu delóirio, o sonho, a fantasia
que na libido te faz oferecida.

Eu te alimento. E quando me consomes,
me visto de adereços e codinomes.
Só penso em ti, esqueço a própria vida.

(marcos maia)

sábado, 30 de outubro de 2010

O amor é a raiva

A raiva embota o amor ou o amor não deixa ver a razão da raiva?
será que os olhos fascinados não enxergam o erro em sua frente
será que a raiva não apaga a chama da paixão intensa?
Deixo aqui a questão, você que resolva...pensa
O amor é cego ou nos cega, nos guia ou nos faz perder
Por vielas e becos que  confundem nossos sentidos
Terra sem donos mas de solo rico, frutifica
mas quando seca, desértica..sangrando a será fica
E a raiva não seria amiga da razão, mostrando ser tudo ilusão
Que tudo seria a estrada para o Mágico de Oz
ou apenas um conto de fada mal contado
queremos princesas e príncipes ao nosso lado
Mas na vida, aqui na realidade doida
As vezes alegre ora sofrida
o amor enfrenta barreiras dia a dia
Não há palavras nem poesia que explica
esta infinita e que da diferença, equação
ou ouvimos nossa mente...ou nosso coração

Gilson costa

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pensamentos Mortais

És meu na doce eternidade dos meus pensamentos
Na agonia da minha alma em ter-te
Na impossibilidade da distância que rege nossos caminhos incertos
Me aventuro nos meus escritos a dizer-te o que sinto
Como uma doce poetisa encantada
com sua capacidade de me deixar confusa
a cada encontro
Seu poder me encanta, as nossas diferenças me intrigam
Sua procura por mim te atrai a ti
E quando menos espero... Apareces!
Rouba minha atenção com sua atenção.
Quando a tormenta acabará?
Se é obesessão que sejamos obsecados um pelo outro
Mais se não for...:
Esqueça-me! 
Não me torture!
Sou obsecada pela idéia de morder-te
E descobrir que realmente és:

Um Vampiro a Minha Espera!
Morda-me!
Malu Freitas



Um mimo sem valor


- Ah! Se brilhassem palavras como estrelas. Se juntando adjetivo, substantivo e verbo entrelaçássemos as mãos.
Se tua alegria despertasse com o ouvido. Se tua vida se completasse com meus versos.
Se não fosse eu um pobre poeta, e não fosses tu, a inspiração para infinitos desejos.
Se tu não tivesses o mundo aos teus pés, e eu não sonhasse tanto na saudade.
Poderíamos transfigurar o universo num lugar mais seguro para nossos sonhos.

Leometáfora

Verbo do meu verso


O verbo do meu verso, o verso do meu verbo, que não conjugo, que não rima, métrica que já foi perfeita..desfeita, o verbo do meu verso!!!
O verbo que já foi divino, no meu verso rimado. Agora, meu verso é avesso, meu verbo...calado!
Minha rima já não tem métrica, meu verbo não tem conjunção. Minha rima não tem poeta, meu verbo...perdeu a ação!
o verbo do meu verso principio meio e fim, meu Alfa, Omega e Beta, que ainda se conjuga em mim
Métrica perfeita adormecida, poema, epopéia em minha vida
E sigo conjugando meu verbo, transitivo direto de ligação.
Mesmo imperfeito em seu pretérito. Será eterno nos meus versos, o meu mais que perfeito na minha oração.
O verbo do meu verso, tente ser irregular mas pleno em flexão, de transitiva semântica
o verbo do meu verso,de primeira conjugação, se faz com terminações românticas
e assim eu vou versando com o verbo que a ti proponho
as vezes me pego conjugando o teus verbos no meu vocabulário mais tristonho
E sigo sonhando e acordado, conjugando seu verbos em minha vida
No passado, presente ou futuro, estas sempre a terminar minha rimas.
Do muito que um dia já tive, eu sei, hoje é pouco o que disponho.
É triste tua ausência nos meus dias. Mas me alegro em conjugar-te em meus sonhos.


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ando me perdendo por ai

Ando me perdendo por ai, por caminhos que já vivi, por bocas e corpos que não são meus ...e daí... ando me perdendo por ai

Ando me perdendo por ai, por palavras que não são minhas, entre princesas e rainhas, por estradas que eu não escolhi...ando me perdendo por ai...

Ando me perdendo por ai, em noites de sonhos não meus, nas orações dos ateus, em refeições que deixam minha alma com mais fome, entre pessoas sem nomes...

Ando me perdendo por ai, no arrastar das horas, da vida que não passa La fora, de toda intensidade que na há mais em ti... ando me perdendo por ai.

E se por acaso alguém me achar, finge que não me veja, talvez perdido eu melhor esteja
....e daí...ando me perdendo por ai

Gilson Costa

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A dança dos amantes



Convida-me para dançar
A dança dos amantes
Em clara noite de pálidas estrelas
Deixar-te nua descobrindo toda tua pele
Santificando teu corpo
Com minha boca molhada
Embriagar-me em teus sucos
Sorvendo-os como se vinho fossem
Apossar-me dos teus cheiros
Deixando-os impregnarem a tua alma em mim
Abrir-te como flor mais preferida
E deixar jorrar a vida
Liquido precioso fruto do gozo perfeito
Confidencia depois à Lua
Testemunha dessa dança
A luz que jorrou de nossas almas
Em clara noite de pálidas estrelas

Gilson costa

domingo, 24 de outubro de 2010

Para pensar em ti todas as horas fogem



Para pensar em ti todas as horas fogem:
o tempo humano expira em lágrima e cegueira.
Tudo são praias onde o mar afoga o amor.

Quero a insônia, a vigília, uma clarividência
desse instante que habito - ai, meu domínio triste!,
ilha onde eu mesma nada sei fazer por mim.

Vejo a flor, vejo no ar a mensagem das nuvens
- e na minha memória és imortalidade -
vejo as datas, escuto o próprio coração.

E depois o silêncio. E teus olhos abertos
nos meus fechados. E esta ausência em minha boca:
pois bem sei que falar é o mesmo que morrer.

Da vida à Vida, suspensas fugas.

Cecília Meireles

Eu gosto de ler gostando,


Eu gosto de ler gostando,
gozando a poesia,
como se ela fosse
uma boa camarada,
dessas que beijam a gente
gostando de ser beijada.

Eu gosto de ler gostando
gozando assim o poema,
como se ele fosse
boca de mulher pura
simples boa libertada
boca de mulher que pensa...
dessas que a gente gosta
gostando de ser gostada.

Solano Trindade

TAPETE VERMELHO - RENATO SILVA


Sua língua é
um tapete vermelho
para a minha


sozinha.


Minha língua é
um tapete vermelho
para a sua:


possua

Dona



Dona
De mim
De meus pensamentos
Sentimentos
De cada poro do meu ser

Dona
De cada desejo
De todos meus beijos
De meus sonhos
De minha alma
Dos meus dias
Das minhas noites
De meus pesadelos

Dona
De minha coragem
Dos meus medos
Dona de mim
Do meu começo
Meio
E do meu fim

Gilson Costa

Certezas




















Certezas

aqui estou para destruir todas as certezas
a encher teus olhos de luz
a te dizer..vem, sou o caminho
não o mais fácil, mas o melhor
aqui estou a destruir todos teus dogmas
fazer você jogar fora
tudo o que acredita...
mesmo sabendo ha mentiras
nas tuas tão decantadas crenças
aqui estou para fazer perder o rumo
sair de sua estrada segura
e se aventurar em meus braços
se perder em minha boca
e se encontrar nas caricias
que ira fazer em meu corpo
e tudo ira por terra
não sei se tera glória
será a queda de tuas
muralhas de Tróia
será a minha invasão
aos seu país
naum sei se é isso
que você sempre quis...
mas to aqui para abalar suas certezas
e para onde vc olhar
eu estarei por la
e você sentira meu cheiro
e eu serei teu pensamento
a todo o momento
e tal qual veneno
bem devagar vou me infiltrar
em sua alma
roubar-te a calma
roubar-te pra mim
insisto em te dizer
vou te enlouquecer....

Gilson Costa

minhas vontades safadas


minhas vontades safadas
impuras e profanas
esperam por você
na minha cama

minhas vontades taradas
intensas, malvadas
esperam por você
e mais nada

minhas vontades sem vergonhas
lascivias, sacanas
clamam por você
na minha cama

gilson costa

Justo a mim me coube ser eu



Justo a mim me coube ser eu
nem ser Eros e nem Ares
e nem ser nemhum semideus
a mim me coube ser eu


Justo a mim me coube ser eu
nem menos e nem mais
heroi em busca de gloria
homem a procura de paz


Gilson Costa

Anjo...anjo não existe...



Anjo...anjo não existe...

E porque então aguardá-los,
Se todo mal ainda resiste.
Por onde sempre caminhamos
Eu sei...é triste
Mas Anjo...anjo não existe.
E a dor, a saudade insiste
Na solidão....o Anjo não existe.

O céu nublado ainda persiste
E La do alto a chuva
Toda minha queda assiste
Eu sei...é triste
Mas Anjo...anjo não existe.
Lutar contra o vazio...tolice
Na escuridão...O anjo não existe.

No meio do transito que passa
No cinza concreto, sem graça
Na musica
Toda fragilidade incide,
E não há nada que despite
Na aflição....o Anjo não existe

Gilson Costa

Pára de invadir

Pára de invadir minha cabeça
e me deixar pirada
alucinada de desejos

Pára de invadir meus sentimentos
e me fazer faminta
por te devorar inteiro

Pára de invadir a minha pele
com carícias perversas
que corroem as vísceras

Pára de me invadir
e vem penetrar meu corpo
até os ossos, as entranhas, a essência.

Denizis Trindade

e se fez anjos em nossas vidas

Catarina



Nasceu menina,
Vaidosa, ruidosa
Fez-se Catarina
E numa linda manhã
Juntou-se ao sorriso
Da irmã
E coloriu nossas vidas
Fez-se prosa e rima
Fez-se Catarina
Cresceu a menina
Alegre e carinhosa
Desastrada
Ehhhhh Catarina!!!
Jeito que fez-se verso
Uma das estrelas
Do meu lindo universo
Hoje trilha seu caminho
Deixando amizade e carinho
E também algumas rusgas
Porque ninguém é perfeito
Mas a perfeição
A gente tenta, caminha
Enquanto ela não chega...
Ehhhhh Catarina

Te amo moça...

GILSON COSTA

Saudade



Sobreveio o silêncio
acompanhado da tristeza
tudo ficou mais denso
perdeu-se toda beleza

e veio o frio e a chuva
e noites que não tinham fim
toda a quietude do mundo
tomava conta de mim

e dormindo a dor passava
nos sonhos ela não morava
mas uma hora tinha que acordar

a saudade em meu peito queimava
todo meu ser ela dominava
e não tinha como escapar

gilson costa

*Eu te imploro* by Gilson Costa


Teu beijo

que me enlouquece,
me desperta,
aquece...
Meu corpo que de amor
por ti já é louco
e trepida
ao te pedir
a te implorar
por teu corpo sentir
em mim...dentro

Tuas mãos
que em meu corpo
serpenteiam.
Seu corpo que pede amor
me deixa louco
a delirar
a te querer
te suplicar
em sentir-me todo teso
a te penetrar
e te amar...

Teu amor
que me deixa febril
a te pegar
pelo quadril
de forma doce
ao mesmo tempo viril
em uma dança lascivia
trazendo-me de volta a vida
fazendo desfalecer,
pronto para morrer mais,
em teu gozo
minha paz...

Teu corpo
que invade minha visão
me tira o ar
me tira o chão
preenche-me de tesão,
vontade de em você eu mergulhar
me afogar no teu mar
e te amar por te amar
Morrer em teu prazer
te achar ao me perder

sábado, 23 de outubro de 2010

SINDROME DE ABSTINÊNCIA


Sinto dor
Meu corpo treme,
Meu paladar é amargo,
Minha visão está turva,
Minhas mãos estão geladas!
Não tenho fome,
Sinto náuseas.
Só adormeço à alta madrugada,
E tenho pesadelos,
Acordo cansada!
Sinto-me feia,
E as lágrimas, são naturais e constantes!
Sôo frio,
Coração em arritmia
Vivo desconcentrada,
Esqueço o que ia fazer
Tudo porque só penso em você!
Tudo porque não sei viver sem você!

Rosane Oliveira

Habeas Corpus (Marta Peres)

Habeas Corpus
Marta Peres

enterrei minhas sobras
e sombras falantes
quando saí de tuas mãos
meus olhos que sangraram
ao segurar dores e gritos
hoje celebram a ressurreição

tortura imposta
pena cumprida
amores sem resposta
jazem dores em mim

apago erros, culpas
vasculho meu interior
nada salta, tudo é cinza
perdão não cura nem espanta
mas sobrevivi livre da tua prisão

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O amor by Fernando Pessoa



O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..




Enquanto encanto...desencanto

Enquanto encanto
Seus olhos eram estrelas
Luz a cegar minha alma
Enquanto encanto
Tua intensidade
Era minha calma...

Enquanto encanto
Tua boca era um sonho
Lábios que ardentemente
Eu desejava
Enquanto encanto
Ante teus beijos
Toda minha vontade
Se calava...

Enquanto encanto
Sua ausência me sufocava
Tempo que não passava
E a distancia era feroz
Enquanto encanto
Quanto mais sem você
Eu ficava
Minha poesia se embriagava
E minha alma ficava sem voz...

Enquanto encanto
O amor me encantava
Tema dos meus sonhos
Que sonhava
E meu mundo alimentava
Esta doce ilusão
Enquanto encanto
Nosso castelo desmoronava
Não vivi, apenas sonhava
E meu ser...ficou sem chão

Enquanto desencanto
Caminho com a solidão

Gilson Costa

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ORAÇÃO DO POETA (Victtoria Rossini)



Que nós e o universo de que fazemos parte
Estejamos sempre em conexão.
Para podermos sentir, ouvir e descrever
Toda grandiosidade da vida
E a beleza que existe dentro da toda a criação.

Que nunca nos falte a inspiração.
Que saibamos nos equilibrar
Entre razão e emoção.

Que a dureza do mundo
Não faça empedernir nosso coração.

Que nosso excesso de sensibilidade
Nunca se transforme em desespero.

Que nosso romantismo
Não nos transforme em idiotas.

Que nossa vontade de inovar
Não nos cegue para beleza do comum.

Que saibamos usar a poesia
Para melhorar o mundo
E olhar a tudo e a todos com olhos de amor.

Que nunca nos falte a coragem e a dignidade
Para pensar, falar, ousar e agir
A favor daqueles, que não tem voz.

Que não tenhamos medo da verdade, nem da crítica
Ao mostrarmos a nossa alma e nossas idéias
Em qualquer composição.

Porque nós poderemos partir um dia,
Mas aquilo que semearmos
De bom na alma dos homens
Viverá para sempre.

Obrigada universo!
Por eu ter nascido sensível
A ponto de me tornar poeta!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mágia Poética...O poeta é um fingidor








Autopsicografia 
Poetas são seres mágicos que criam sonhos, tecem fantasias, inventam estórias. Doam-se ao mundo sem reservas, numa ânsia apaixonada de compartilhar os sentimentos que lhes povoam a alma. São feitos bicho-da-seda, que se entregam vorazmente a fazer sua textura. Falam todas as línguas. Conversam com as estrelas, com as flores, com a chuva.Falam com o sol, com as árvores, com os pássaros. Poetas se comunicam com toda natureza.

Poetas sentem uma ansiedade contínua, que só se ameniza quando nasce um poema, não qualquer poema, mas aquele poema, o que lhes veio do mais profundo do seu ser, que foi acarinhado, corrigido, enxugado e acrescentado. Aquele que fez o poeta atravessar noites sem dormir, rascunhando, amassando, lançando fora e resgatando. Que foi moldado como uma escultura, mãos em perfeita harmonia com as palavras, dedos encharcados do barro da inspiração.

Poetas parecem carregar nos ombros todas as dores e alegrias do universo. Sentimentos que só conseguem extravassar através de seus escritos, quando sofrem, a dor é tão grande que sua obra sai lapidada, cristalina, em arestas. Se felizes, expressam suas palavras com tanta alegria que contagiam de felicidade os corações. Sua magia é tanta que podem com a alma destroçada, escrever poemas de pura felicidade, estar cheios de alegria e criar poesias de profunda tristeza.

Poetas são as cigarras da literatura, Poetar é a sua música. É essa melodia em letras que lhe aquece o espírito, que lhe dá alento para seguir em frente quando os ventos são contrários.

Poetas aproximam amores,
Fortalecem amizades,
Eliminam rancores,
Conduzem à reflexão,
Poetas são seres mágicos que iluminam os mais obscuros cantos da alma.
(Dorcila Garcia)

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
 

Fernando Pessoa


De longe te hei de amar

De longe te hei de amar,
- da tranquila distância
em que o amor é saudade
e o desejo a constância.

Do divino lugar
onde o bem da existência
é ser eternidade
e parecer ausência.

Quem precisa explicar
o momento e a fragrância
da Rosa, que persuade
sem nenhuma arrogância?

E, no fundo do mar,
a estrela, sem violência,
cumpre a sua verdade,
alheia à transparência.


Cecília Meireles

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Alimento minha alma


 Alimento minha alma
De oração e de festa
Mas sei que há uma fresta
Onde o mal habita
As vezes ele vem
Cogita, agita
Então me entrego a ele
Com prazer
Este é o meu ser,
So tenho que saber
Doma-lo sim
Para que ele
Não dome a mim

Alimento minha alma
Com água e vinho
As vezes cambaleio
pelo caminho
as vezes a bebida
os olhos turvas
e vou em frente
quando era para fazer
a curva...

Alimento minha alma
com o bem e o mal
e quem vence afinal
é quem eu dar mais comida
se há um anjo em mim
há um monstro
que também habita minha vida
e posso te dizer uma verdade
é assim com toda
humanidade

Gilson Costa



Minha filosofia poética ou minha poesia filosófica


quem assim ama a sabedoria
tem em si semente de poesia
se teve inicio na mitologia
se for reflexão então filosofia

pura e tradicional arte lírica
tem em sim meandros de filosofia
se Epopéia é sua primazia
em todas culturas então poesia

Platão e Aristóteles foram guias
desta ciência dita filosofia
que incitava discutir a realidade

como pai, tem vários, a poesia
criada em campos, cidades e abadias
ambas querem nossa felicidade

Gilson Costa

Reconstrução


Vou me reconstruir
Recompor-me
Refazer-me
Tentar descobrir
Em que curva do caminho
Eu me perdi de mim
O que deixei pra trás
Acho que não da
Para aproveitar mais
E pedaço que ficou
Com você
Se for o melhor de mim
Paciência
Terá que ser assim...
Uma coisa
eu não reconheço
onde termina eu
e onde fica o meu começo...

gilson costa

sábado, 16 de outubro de 2010

Por você




Por você
ja fiz tanta coisa,
escrevi tanta poesia
gritei para o mundo que te amava
e aqui estou só...
por você
faria tudo novamente
so para ter seu beijo
conjugado no meu presente

@gilsoncosta42

Demissão




Este mundo não presta, venha outro.
Já por tempo de mais aqui andamos
A fingir de razões suficientes.
Sejamos cães do cão: sabemos tudo
De morder os mais fracos, se mandamos,
E de lamber as mãos se dependentes.


José Saramago

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

É Proibido Pablo Neruda




É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,


Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.


Pablo Neruda