sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Busque Amor...



Busque Amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que não pode haver desgosto
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;

Que dias há que na alma me tem desgosto
Um não sei quê, que nasce de não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.

Luís Vaz de Camões