domingo, 16 de janeiro de 2011

Quero fazer uma confissão esta noite




Quero fazer uma confissão esta noite

porque a noite e a rua foram jantar juntas.

Quero dizer que amo uma mulher

cujo corpo não me dá

o seu calor esta noite,

cuja ausência é um ronsel laranja.

Quero dançar com minha sombra

para que o seu rumor chegue até ela

e ela saiba que eu lhe dou a noite,

toda senhora.

Quero escrever coisas que não se esvaeçam

com o sol,

que a chuva as faça flores

que cheirem a ela.

Quero que as minhas mãos voem,

voem em silêncio

onde ela guarda os seus sonhos…

sonhos que me pertencem

porque eu lhe pertenço.

Quero que ela fique, fique sempre,

quero ser a sua voz

quero ser o seu sorriso verde,

quero ser a sua chuva no cabelo,

quero amá-la mais do que ninguém

ama ninguém.

Quero dizer-lhe, aqui e agora, que a amo

com a minha voz baixa,

com o meu ar de outono lento,

com o meu sabor de beijos possíveis.

Quero que os pássaros sejam

os meus mensageiros de saudade.

Quero que o mundo comece quando ela vir.

Quero sonhar acordado com o seu tacto entre as

minhas mãos

a percorrer ela em silêncio o meu peito

e acordar com ela junto de mim,

calada e doce.

Quero só eu dizer-lhe sentimentos

que aceleram o coração,

o seu coração apaixonado,

eu gosto da sua timidez.

Quero nadar na sua boca sem horizontes.

Quero os versos todos do planeta

a falarem dela,

versos curtos de violetas,

versos firmes de cravos,

versos perfumados de rosas.

Quero suster os seus pés no ar

e trazer ao seu peito gaivotas fiéis







Autor Xavier F. Conde