sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Conversa banal - Eliane Brito

Queria declamar um poema
como quem fala de carne, de pão
de assuntos corriqueiros
como futebol e inflação

Sem pressa, sem voz embargada

como quem fala a troco de nada
mesmo sem ter razão

Contar com a voz a sorrir

como se fosse novidade
prender, intrigar, envolver, seduzir
feito assunto para o qual nunca é cedo ou tarde

Queria saber declamar
e não somente derramar palavras ao papel
calando o som que nelas existe

Transformar todo e qualquer poema em banal conversa

afastá-lo da leitura normal
como bula, testamento ou edital

Separá-lo de tudo aquilo que, ao homem comum,

apresenta-se como limitação
e jogá-lo definitivamente
dentro das conversas de portão

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