sábado, 16 de outubro de 2010
Demissão
Este mundo não presta, venha outro.
Já por tempo de mais aqui andamos
A fingir de razões suficientes.
Sejamos cães do cão: sabemos tudo
De morder os mais fracos, se mandamos,
E de lamber as mãos se dependentes.
José Saramago
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
É Proibido Pablo Neruda
É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
Pablo Neruda
Dafne - A Obsessão de Apolo by Eliane Brito
Dafne
Se minhas flechas não estão a sua altura,
se meus dons não se comparam aos seus
Lembra-se, arqueiro, que se atinges outras criaturas
só eu posso ferir-lhe , mesmo sendo um deus.
Dizendo isto, Cupido exímio atirador
lança duas flechas ao mesmo tempo:
Atingindo Apolo com a seta do amor
e a ninfa Dafne com a do desprezo
O deus por ela obcecado inicia a perseguição
enquanto a jovem donzela lhe foge como o vento.
Tomado como está pela paixão
alcançá-la é questão de tempo.
Sem forças e tomada pelo desespero
Ela recorre a seu pai
Cobrando-lhe a promessa de livrá-la do casamento
E o rio Peneu cumpre sua promessa:
intervém afastando o pretendente
E a jovem é em árvore transfigurada
Fincando no solo suas raízes eternamente
Apolo, consternado, abraça seu amor verdadeiro
Tornando-a sua favorita entre todas as plantações
Passando as folhas do loureiro, árvore em que se transformara
No eterno símbolo da mais alta glória dos campeões.
se meus dons não se comparam aos seus
Lembra-se, arqueiro, que se atinges outras criaturas
só eu posso ferir-lhe , mesmo sendo um deus.
Dizendo isto, Cupido exímio atirador
lança duas flechas ao mesmo tempo:
Atingindo Apolo com a seta do amor
e a ninfa Dafne com a do desprezo
O deus por ela obcecado inicia a perseguição
enquanto a jovem donzela lhe foge como o vento.
Tomado como está pela paixão
alcançá-la é questão de tempo.
Sem forças e tomada pelo desespero
Ela recorre a seu pai
Cobrando-lhe a promessa de livrá-la do casamento
E o rio Peneu cumpre sua promessa:
intervém afastando o pretendente
E a jovem é em árvore transfigurada
Fincando no solo suas raízes eternamente
Apolo, consternado, abraça seu amor verdadeiro
Tornando-a sua favorita entre todas as plantações
Passando as folhas do loureiro, árvore em que se transformara
No eterno símbolo da mais alta glória dos campeões.
Acreditar...hoje foge da minha alçada!
Acreditar
Hoje foge da minha alçada
Não que eu
Não acredite em nada
Mas numa boa
Desacredito das pessoas
Não quero
Fazer disso um canto
Mas sei
Que não ninguém é santo
Nem eu
E o mundo que gira
As vezes
É um mundo de mentira
E o ícone
Que escolhemos como modelo
De hipocrisia esta cheio
E vemos um mito cair por terra
Atire a primeira pedra
Quem não erra...
E a relação se torna banal
No fim
É tudo igual...
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Se na tua vida falta tempero...
Se na tua vida
Falta tempero
Adicione um pouco de mim
Que eu seja
Sua pimenta de cheiro
Seu alecrim
Vai ser minha
Mesmo na marra
Serei teu tempero
Alcaparra
De intenso sabor
meu beijo.
Se falta tempero nela
Faça de mim, sua canela
Desfrute-me ate amanhã
Beijo sabor hortelã
Se na tua vida
Falta tempero
Não me economize
Na porção
Faça-me teu cravo
Teu manjericão
Misture tudo
E será bem servida
Faça-me tua comida
Que nunca terá fim
Se na tua vida falta tempero
Adicione um pouco de mim
Gilson Costa
Falta tempero
Adicione um pouco de mim
Que eu seja
Sua pimenta de cheiro
Seu alecrim
Vai ser minha
Mesmo na marra
Serei teu tempero
Alcaparra
De intenso sabor
meu beijo.
Se falta tempero nela
Faça de mim, sua canela
Desfrute-me ate amanhã
Beijo sabor hortelã
Se na tua vida
Falta tempero
Não me economize
Na porção
Faça-me teu cravo
Teu manjericão
Misture tudo
E será bem servida
Faça-me tua comida
Que nunca terá fim
Se na tua vida falta tempero
Adicione um pouco de mim
Gilson Costa
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Espinhos
A vida requer cuidado.
Os amores tambem.
Flores e espinhos são belezas,
que se dão juntas.
Não queira uma só,
elas não sabem viver sozinhas...
Quem quiser levar a rosa para sua vida,
terá de saber que com elas,
vão inumeros espinhos.
Não se preocupe:
A beleza da rosa,
vale o incômodo
dos espinhos...
Padre Fábio de Melo
Soneto a Quatro Mãos
Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.
Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.
Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.
Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.
Paulo Mendes Campos
Vinicius de Moraes
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