sexta-feira, 8 de junho de 2012

Certas Lágrimas... doem demais



Certas lagrimas doem demais
Escorrem pelo rosto
Cortando a alma e o coração
Tem espinhos
É acido puro
Machuca, queima.

Certas lagrimas são pesadas
E arrastam-nos com elas
Face abaixo
Inundando os sentimentos
Deixando nos náufragos

E quando pensamos
Que já derramamos
Todas as lagrimas que existiam
Em nos
E quando achamos
Que o tsunami de choros
Já acabou

Vem o coração renovado na tristeza,
Como uma infinita represa
E deságua tudo de novo

Certas lágrimas doem demais!

Gilson Costa

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Exigências

A vida
Exige-nos
Que a compreendamos,
Mesmo as peças
Que ela nós dá.
Sem perder de vista
A totalidade
Temos que nos
Voltar aos detalhes...
Exigencias
Que vão se acumulando
E o fardo que carregamos
Vai sempre aumentando, pesando.
Sempre temos
Que representar
Um novo papel...
Pois no palco do destino
Tudo ser torna cruel
E não há o tempo
De decorar nossas falas
Mas a plateia não se cala
E vem mais um julgamento
Exige-se pressa
E perfeiçào
Em mais essa encenação.

Gilson Costa

Natureza dispersa


Tantos caminhos,
Pensamentos
Que acho;
Mas acabo
Diluindo-me em riachos
Que nem um rio
Irão formar,
Aguas que se dispersam
E não desaguam
Em um mar...
Tantos detalhes
Para pensar
Natureza dividida
Em divida com a vida,
Somatoria confusa
Que não chega a solução;
Natureza dispersa
Caos, confusão.
Tantas verdades
Tantas mentiras
Tantas oposições
Explicações
Posições
E opiniões
Tudo isso me assola
E alegria de minha
Alma toma.
Natureza dispersa,
Subtrai-se
Mais do que soma.

Gilson costa

Os fatos são linguagens verdadeiras
As distorções vêm de nossas projeções
Resultam em mal-entendidos
Circulo vicioso
Que alimentamos cada vez mais
E ainda buscamos a paz.
Fugindo da constituição essencial
Vamos à direção do mal,
Mesmo sem saber.
Talvez a nossa formação
Talvez nossa sociedade
Esteja impregnada de uma maldade
Que se esconda no mais puro coração
Até que cresça e vire em explosão
O nosso lado escuro
Havera então futuro?
Em meio há tantas mentiras
Tantas falsas vidas
Que tentamos viver,
A duabilidade do ser
Que habita sem não fazer estrago
Um anjo e um diabo.

Gilson costa

MARIA MADALENA


Maria teve vontade de amar Madalena
sempre tão arrepemdida
dos homens que as deixavam
Madalena tão carente na solidão de Maria

 Maria amou Madalena
Madalena amou Maria

Tão santamente se amaram
pelo tanto amor que havia
que mantiveram nas noites
e perpetuaram nos dias
amores que eram dos homens
e os homens nem percebiam...

JOÃO DOMINGUES MAIA




sábado, 2 de junho de 2012

Os amantes sem dinheiro




Tinham o rosto aberto a quem passava
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente

o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.


Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos,
mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.


Eugénio de Andrade

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Deixe-me ser a corda do teu violão. Pois quero ser a canção da tua vida!
Geovani Miranda