segunda-feira, 16 de maio de 2011

Eu Quero:

 
"Quero encontrar algo nesse mundo que me traga, a cada noite,
a dádiva de um cansaço bom.

Que me permita olhar para as horas vividas com uma
clara convicção de que valeu a pena vivê-las.

Que me conduza ao sono sereno que nasce depois
dos desafios que o coração compra.

Que me convide a desejar um novo dia,
certa de que haverá um motivo para o qual levantar.
E por sabê-lo, por lembrá-lo, eu possa experimentar a paz de
adormecer sorrindo.

Quero encontrar algo nesse mundo que seja minha reza,  meu lugar sagrado.

Meu acorde mais harmonioso. Meu compromisso e minha liberdade.

A âncora que me ligue à terra. A ponte que me leve ao céu.

Algo que me encante e me entusiasme.

Que me acalente e me acorde.

Que me comova e me encoraje.

Que me faça colocar os pés na vida, enamorada e entregue.

Uma fonte de contentamento que independa de qualquer condição externa para me alimentar.

Quero encontrar algo nesse mundo que seja a expressão mais fluida do
meu amor.

Que esteja sintonizado com os propósitos da minha alma para a
jornada que realizo.


Que me ajude a dançar mais gostoso com a vida.

Que seja capaz de devolver lume aos meus olhos,
quando tudo me parecer opaco.

Um tesouro que, de verdade, me enriqueça.

Quero encontrar algo nesse mundo que faça eu me sentir útil na minha
passagem por aqui.

Que me incentive a continuar no meu caminho quando
as circunstâncias tentarem me convencer a desistir dele.

Que me ajude a fazer contato com o meu sol toda vez que
chover muito forte e eu sentir medo.

Que seja uma certeza quando os ventos marotos tirarem tudo do
lugar.


Quero encontrar essa preciosidade, da qual eu sinto uma imensa
saudade, como se estivesse na minha vida desde sempre.

Quero tatuá-la nos meus dias. Faze-la presente mesmo quando ausente.

Quero que suas digitais estejam presentes naquilo que eu
puder oferecer de melhor ao mundo.

Algo que fique, quando eu passar.

Algo que me traga, a cada noite, a dádiva, de um cansaço bom."


Ana Jácomo
 

 

sábado, 14 de maio de 2011

a vida...

"A vida se me é, e eu não entendo o que digo. Então adoro."

(Clarice Lispector)
 
 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Palavras...

Nascem na minha mente
brincam em meus lábios
acariciam as minhas mãos
 
Florescem em pleno papel
vestem-se de lindos sons
atingem-me feito flechas
 
Faz-se parque de diversões
faz-se mulher a bailar
faz-se poesias em mim...
 
Palavras
 
Gilson Costa

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Da chegada do amor



Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.

Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.

Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.

Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.

Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.

Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.

Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.

Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.

Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.

Sem senãos.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.

Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.

Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.

Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.

Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.

Poesia extraída do livro "Euteamo e suas estréias",
Editora Record - Rio de Janeiro, 1999,

Elisa Lucinda