sábado, 22 de janeiro de 2011

Saudades


Um dia me disseram

para ter paciência porque
a saudade é um sentimento
nobre que poucos podem ter...

Que somente as pessoas
que realmente tem capacidade
amar podem senti-lo...

Mas infelizmente tudo tem seu preço...
Porque quem sente saudade
é sinal de algo no passado
foi inesquecível...

É sinal de alguém não apenas
passou por sua vida
e sim que permanece...

E que faz grande falta.

"Ana Cláudia Ferreira"

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Palavras Vazias



Ao meu redor,
Palavras frias... vazias
Mascaras usada
Para esconder
Inteiras mentiras.

Teatro
Da enganação
Em plena atuação
Do viver
De forma não sentida
A verdade
Muitas vezes
Preterida

Acreditam-se
Nas Palavras,
Nos olhares
E na poesia,

Fala-se de amor
Com intensa
Sinceridade
E o verbo
Assim te dirige

Fala-se
De uma forma
Mas é de outra
Que se vive

Ao meu redor
Palavras sem entonação
Versos jogados ao vento
Sem honrar
Sentimentos
Sem se preocupar
Com o coração,

Tudo isso
Não é pouco
Pois não é o teu
E sim
O coração do outro!!!

Gilson Costa


Sou apenas a resultante dos meus amores

Filhas, fatos, dias, palavras, poesias...
Mulheres, paixões, vindas e idas,
Presente, passado, coisas da vida.
Composta de alegrias e as vezes dores,
Sou apenas a resultante dos meus amores.

Do ódio, das horas vadias, passadas.
Das lagrimas, solidão e das boas risadas,
Do espinho e do perfume das flores
Sou apenas a resultante dos meus amores.

Amores que me tocaram, alguns me feriram,
Deixando cicatrizes que o tempo não cura
Mostrando-me uma estrada penosa e dura,
Expondo meus segredos e meus piores temores,
Sou apenas a resultante dos meus amores.

Amores que estão e que ainda permanecerão
Aquilo que deixo guardado no coração
Sonhos, significados fortes, belos,
Muralhas, fundamentos sólidos dos meus castelos,
Que no meu fim não se transformarão em vapores,
Sou apenas a resultante destes amores...

Gilson Costa Brito


Quem me diz?



Quem diz são os meus olhos:
- Você é bonita, sim,
Eles que vêem o mundo,
Jamais mentiriam pra mim!

Eles que admiram a Lua
O mar, estrelas e jasmim,
Que brilham sempre ao te ver,
Jamais mentiriam pra mim!

Quem diz é a minha alma:
- Você é especial, assim.
Ela que guia meus passos,
Jamais mentiria pra mim!

Ela que me orienta
Veste-me feito cetim,
Calma, poderosa e sabia.
Jamais mentiria pra mim!

Quem diz é o meu coração:
- Você é um ser de luz, enfim.
Ele que descompassa ao vê-la,
Jamais mentiria pra mim!

Ele que a traz dentro do peito
Fazendo-te meu Querubim,
Que me leva ao paraíso
Quando diz: - Você foi feita pra mim!

Gilson Costa Brito

Deixo...



deixo
que teu olhar me toque
que teu toque me provoque
ao provocar me sufoque
e me deixe em choque
deixo
que tua boca me beba
tua mão me toque
com toque de seda
que seu corpo o meu compreenda
ser você realidade e não lenda
deixo
em meus lençois macios
aquecer todos nossos frios
e no meu de nossos arrepios
preencher meus espaços vazios
Gilson Costa

"Os anjos do meio da praça" (2010)


"Os anjos do meio da praça" (2010)

Sinopse: Uma fábula sobre anjos caídos, sonhos esquecidos, e um menino.


"Os anjos do meio da praça" (2010) from Alê Camargo on Vimeo.



http://vimeo.com/16021750

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"Família é prato difícil de preparar"



Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. (e férias então...) Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência.
Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir.
Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio.

Mas a vida, ( como uma azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.

O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.

Súbito, feito milagre, a família está servida.
Fulana sai a mais inteligente de todas.
Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? 

Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você?  É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia.

Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho?

Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo.

Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida.

Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. 

Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados.

Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar.

Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. 

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.

Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre.

Família é prato extremamente sensível.

Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido.

Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional..

Principalmente na hora que se decide meter a colher.


Saber meter a colher é verdadeira arte.

Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem.

Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meuni; Família ao Molho Pardo,  em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é a  Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas.

Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. 
Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia.

A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel.

Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu.

O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar,
família é prato que você tem que experimentar e comer.
Se puder saborear, saboreie.

Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo.

Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.



 Trecho resumido do livro “O arroz de Palma, (Francisco Azevedo)


"Se tivéssemos consciência do quanto nossa vida é passageira,
talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades
que temos de ser e de fazer os outros felizes"